O que vale é a qualidade, não a quantidade...

De todos os milhões de milhões de leitores em potencial que eu poderia ter para meu blog, aprentemente, eu só tenho um, ou melhor, uma leitora assídua: minha irmã Priscila Ramos... Sim, a primogênita do clã... Mas é como eu disse: mais vale a qualidade do que a quantidade... Ao invés de milhares de leitores sem conteúdo, é preferível apenas um que nos traga contribuições valiosas... E é assim a doce primogênita da família Ramos... Sem negar a verve política inerente ao clã "dos Ramos", a primogênita me agraciou com a publicação, em um dos comentários , de um link onde comenta-se a famigerada carta publicada pela Excelentíssima Livre Docente Marilena Chauí...

É isso aí Augusta!!! Continue assim!!!

E, como sou muuuuuuuuuito generosa, publicarei o comentário aqui também, só que agora, na versão hiperlink... Basta clicar aqui...

São as coisas da vida...

Meu professor de Tecnologia Educacional, Jarbas Novelino Barato - sim, porque hoje temos disciplinas como essa na Pedagogia - já me disse que o espaço virtual para escrita deve ser pensado de outra forma: breve, com links, linguagem simples, etc, etc, etc... Enfim, essas coisas da vida...

Decididamente, não consigo... Falo disse porque hoje, ao abrir o meu blog, pensei que talvez tivesse sido melhor fazer um hiperlink ao invés de escrever a carta de Chauí... Mas acho que fazer isso é tão sem graça... A escrita tem para mim, quase um valor sentimental... Pensem comigo: ao escrever deixo registrado algo muito íntimo; ao escrever redijo um documento... E um documento não pode ser simplesmente "clique aqui"... Clique aqui não tem emoção nehuma!!! Então, aproveito a oportunidade para registrar aqui, o meu protesto aos ambientes de escrita cibernéticos: Mais espaço, mais espaço, mais espaço!!!

O Jarbas que me desculpe, mas espaço é fundamental!

E por falar em Vinícius, não percam o documentário que em breve, breve, muito breve estará nos cinemas sobre a vida de Vinícius de Moraes. Intitulado apenas "Vinícius de Moraes" o documentário é M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!!! Tive o privilégio de assiti-lo em uma sessão privê,antes mesmo de sua primeira exibição oficial no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, direcionada somente para os órgãos de imprensa e revistas especializadas - afinal eu sou chique bem - no dia 13 de setembro, ... Acho que vou escrever sobre ele em minha próxima blogada, pois esse merece... É tudo de bom!!! O finalzinho, então, é espetacular: Chico Buarque revela o grande-pequeno segredo de Vinícius... Ao verem o filme, vocês hão de entender o trocadilho... Vale muuuuuito a pena...

Beijocas e inté...

Carta da Ilustríssima Livre Docente Marilena Chauí aos seus alunos Uspianos data de 31 de agosto de 2005.

Continua calada, mas pelo menos, agora está escrevendo...

Como a carta é grande e o espaço para mensagens é pequeno, ela será publicada em pedacinhos... Ela só termina com a assinatura da dita "Marilena Chauí"...

 

"Prezados alunos,

 

Soube, por alguns colegas professores, que muitos de vocês estão intrigados ou perplexos com meu suposto "silêncio". Digo suposto porque, como lhes mostrarei a seguir, essa imagem foi construída pelos meios de comunicação, particularmente pela imprensa. Na verdade, tenho falado bastante em vários grupos de discussão política que se formaram pelo país, mas tenho evitado a mídia e vou lhes dizer os motivos. Antes de fazê-lo, porém, quero fazer algumas observações gerais.

1. Vocês devem estar lembrados de que, durante o segundo turno das eleições presidenciais, a mídia (imprensa, rádio e televisão) afirmava que Lula não iria poder governar por causa dos radicais do PT, isto é, pessoas como Heloisa Helena, Babá e Luciana Genro. Vocês não acham curioso que, de meados de 2003 e sobretudo hoje, essas pessoas tenham sido transformadas pela mesma mídia em portadores da racionalidade e da ética, verdadeiros porta-vozes de um PT que foi traído e que teria desaparecido? Como indagava o poeta: "Mudou o mundo ou mudei eu?". Ou deveríamos indagar: a mídia é volúvel ou possui interesses muito claros, instrumentalizando aqueles que podem servi-los conforme soprem os ventos?

2. Vocês devem estar lembrados de que, desde os primeiros dias do governo Lula, uma parte da mídia, manifestando preconceito de classe, afirmava que, o presidente da República, não tendo curso universitário nem sabendo falar várias línguas, não tinha competência para governar? Cansando dessa tecla, que não surtia resultado, passou-se a ironizar e criticar os discursos de Lula e seus improvisos. Não tendo isso dado resultado, passou-se a falar o populismo presidencial, isto é, a forma arcaica do governo. Como isso também não deu resultado, passou-se a falar num país à beira da crise, alguns chegando a dizer que estávamos numa situação parecida com a de março de 1964 e, portanto, às vésperas de um golpe de Estado! Como o golpe não veio (ele veio agora, sob a forma de um golpe branco), passou-se a falar em crise do governo (as divergências entre Palocci e Dirceu) e em crise do PT (as divergências entre as tendências).

Penso que um dos pontos altos dessa seqüência foi um artigo de um jornalista que dizia que, na arma do policial que matou o brasileiro em Londres, estava a impressão digital de Lula, pois não criando empregos, forçara a emigração! Além de delirante, a afirmação ocultava: a) que aquele brasileiro estava na Inglaterra há cinco anos (emigrou durante o governo FHC); b) estavam publicados os dados de crescimento do emprego no Brasil nos últimos dois anos. Eu poderia prosseguir, mas creio ser suficiente o que mencionei para que se perceba que estamos caminhando sobre um terreno completamente minado.

3. As duas primeiras observações me conduzem a uma terceira, que julgo a mais importante. Vocês sabem que, entre os princípios que norteiam a vida democrática, o direito à informação é um dos mais fundamentais. De fato, na medida em que a democracia afirma a igualdade política dos cidadãos, afirma por isso mesmo que todos são igualmente competentes em política. Ora, essa competência cidadã depende da qualidade da informação cuja ausência nos torna politicamente incompetentes. Assim, esse direito democrático é inseparável da vida republicana, ou seja, da existência do espaço público das opiniões. Em termos democráticos e republicanos, a esfera da opinião pública institui o campo público das discussões, dos debates, da produção e recepção das informações pelos cidadãos. E um direito, como vocês sabem, é sempre universal, distinguindo-se do interesse, pois este é sempre particular. Ora, qual o problema? Na sociedade capitalista, os meios de comunicação são empresas privadas e, portanto, pertencem ao espaço privado dos interesses de mercado; por conseguinte, não são propícios à esfera pública das opiniões, colocando para os cidadãos, em geral, e para os intelectuais, em particular, uma verdadeira aporia, pois operam como meio de acesso à esfera pública, mas esse meio é regido por imperativos privados. Em outras palavras, estamos diante de um campo público de direitos regido por campos de interesses privados. E estes sempre ganham a parada.

Apesar de tudo o que lhes disse acima, fiz, como os demais (no mundo inteiro, aliás), uso dos meios de comunicação, consciente dos limites e dos problemas envolvidos neles e por eles. Exatamente por isso, hoje, vocês perguntam por que não os usei para discutir a difícil conjuntura brasileira. Tenho quatro motivos principais para isso. O primeiro, é de ordem estritamente pessoal. Os que fizeram meu curso no semestre passado sabem que mal pude ministrá-lo em decorrência do gravíssimo problema de saúde de minha mãe. Aos 91 anos, minha mãe, no dia 24 de fevereiro, teve um derrame cerebral hemorrágico, permaneceu em coma durante dois meses e, ao retornar à consciência, estava afásica, hemiplégica, com problemas renais e pulmonares. De fevereiro ao início de junho, permaneci no hospital, fazendo-lhe companhia durante 24 horas. Cancelei todos os meus compromissos nacionais e internacionais, não participei das atividades do ano Brasil-França, não compareci às reuniões do Conselho Nacional de Educação, não participei das reuniões mensais do grupo de discussão política e não prestei atenção no que se passava no país. Assim, na fase inicial da crise política, eu não tinha a menor condição, nem o desejo, de me manifestar publicamente.

O segundo motivo foi, e é, a consciência da desinformação. Vendo algumas sessões das CPIs e noticiários de televisão, ouvindo as rádios e lendo jornais, dava-me conta do bombardeio de notícias desencontradas, que não permitiam formar um quadro de referência mínimo para emitir algum juízo. Além disso, pouco a pouco, tornava-se claro não só que as notícias eram desencontradas, mas que também eram apresentadas como surpresas diárias: o que se imaginava saber na véspera era desmentido no dia seguinte. Mas não só isso.

Era também possível observar, sobretudo no caso dos jornais e televisões, que as manchetes ou "chamadas" não correspondiam exatamente ao conteúdo da notícia, fazendo com que se desconfiasse de ambos. A desinformação (como disse alguém outro dia: "da missa, não sabemos a metade"), não permitindo análise e reflexão, pode levar a opiniões levianas, num momento que não é leve e sim grave.

Além disso, a notícia já é apresentada como opinião, em lugar de permitir a formação de uma opinião. Por isso mesmo, a forma da notícia tornou-se assustadora, pois indícios e suspeitas são apresentados como evidências, e, antes que haja provas, os suspeitos são julgados culpados e condenados. Esse procedimento fere dois princípios afirmados em 1789, na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, quais sejam, todo cidadão é considerado inocente até prova em contrário e ninguém poderá ser condenado por suas idéias, mas somente por seus atos. Ora, vocês conhecem o texto de Hegel [filósofo alemão, 1770-1831], na "Fenomenologia do Espírito", sobre o Terror (em 1793), isto é, a transformação sumária do suspeito em culpado e sua condenação à morte sem direito de defesa, morte efetuada sob a forma do espetáculo público. Essa perspectiva, como vocês também sabem, é também desenvolvida por Arendt [Hannah Arendt, filósofa alemã, naturalizada norte-americana, 1906-1975] e Lefort [Claude Lefort, filósofo francês] a respeito dos totalitarismos e seus tribunais, e para isso ambos enfatizam, na Declaração de 1789, o princípio referente à não criminalização das idéias, assinalando que nos regimes totalitários a opinião dissidente é tratada como crime.

Assim, na presente circunstância brasileira, a impressão geral deixada pela mídia é da mescla de espetáculo e terror, tornando mais difícil do que já era manifestar idéias e opiniões nela e por meio dela.

Meu terceiro motivo será compreendido por vocês quando lerem os artigos de jornal que inseri no final desta carta. Um artigo foi escrito antes da posse de Lula ["Desconfiança saudável", na Folha, em 8.dez.2002], alertando para o risco de uma "transição", isto é, um acordo com o PSDB. Os outros dois foram escritos em 2004, quando do "caso Waldomiro" [ambos na Folha: "A disputa simbólica", em 18.fev.2004, e "Em prol da reforma política", em 11.mar.2004]. Ambos insistem na necessidade urgente da reforma política. Os fatos atuais (ou o que aparece como fato) não modificam em nada o que escrevi há quase um ano, pelo contrário, reforçam o que havia dito e por isso não vi razão para voltar a escrever, pois eu escreveria algo ridículo, do tipo: "Como já escrevi no dia tal em tal lugar...". Ou seja, se meu segundo motivo me leva a considerar que não há a menor condição para opinar no varejo sobre cada fato ou notícia, o meu terceiro motivo é que, no que toca ao problema de fundo, já me manifestei publicamente.

Resta o quarto motivo. Aqui, há duas ordens diferentes de fatos que penso ser necessário apresentar. A primeira, se refere ao ciclo "O Silêncio dos Intelectuais"; a segunda, à atitude da mídia. Há 20 anos, Adauto Novais organiza anualmente ciclos internacionais de conferências e debates sobre temas atuais. Sempre com um ano de antecedência, Adauto se reúne com alguns amigos para discutir e decidir o tema do ciclo. Participo desse grupo de discussão. Em abril de 2004, quando nos reunimos para decidir o ciclo de 2005, alguns membros do grupo (entre os quais, eu) preparavam-se para um colóquio, na França, cujo tema era "Fim da Política?", outros iam participar de um seminário, nos Estados Unidos, sobre o enclausuramento dos intelectuais nas universidades e centros de pesquisa, e outros iniciavam os preparativos para a comemoração do centenário de Sartre, símbolo do engajamento político dos intelectuais.

Nesse ambiente, acabamos propondo que o ciclo discutisse a figura contemporânea do intelectual e Adauto propôs como título "O Silêncio dos Intelectuais". Uma vez feitos os convites nacionais e internacionais aos conferencistas, recebidas as ementas e organizada a infra-estrutura, Adauto fez o que sempre faz: com muitos meses de antecedência, conversou com jornalistas, passou-lhes as ementas, explicou o sentido e a finalidade do ciclo.

Ou seja, no início de 2005, a imprensa tinha conhecimento do ciclo e de seu título. E eis que, de repente, não mais que de repente, durante a crise política, alguns falaram do "Silêncio dos Intelectuais", referindo-se aos intelectuais petistas! Curiosa escolha de título para uma matéria jornalística... ["O silêncio dos inocentes", reportagem da Folha em 19.jun.2005] Veio assim, sem mais nem menos, por pura inspiração. Mais curiosa ainda foi essa escolha, se se considerar que, ao longo de 2005, praticamente todos os intelectuais petistas (talvez com exceção de Antonio Candido e de mim) se manifestaram em artigos, entrevistas, programas de rádio e de televisão!!! Onde o silêncio? Como eu lhes disse, notícias são produzidas sem ou contra os fatos. E com as notícias vieram as versões e opiniões, os julgamentos sumários e as desqualificações públicas, culminando no tratamento dado ao ciclo, quando este se iniciou.

A mídia decidiu que o ciclo se referia aos intelectuais petistas, apesar de saber que fora pensado em 2004, de ler as ementas, de haver participantes que não são petistas, para nem falar dos conferencistas estrangeiros. O ciclo virou espetáculo.

Uma revista afirmou que, entre os patrocinadores (Minc, Petrobras e Sesc), estavam faltando os Correios. Uma outra afirmou que os participantes eram intelectuais do tipo "porquinho prático" (não explicou o que isso queria dizer). Um jornal colocou a notícia da primeira conferência (a minha) no caderno de política, sob a rubrica "Escândalo do Mensalão", com direito a foto etc.

A segunda ordem de fatos está diretamente relacionada comigo. Quando publiquei o artigo sobre o "caso Waldomiro", um jornalista escreveu uma coluna na qual me dirigiu todo tipo de impropérios e usou expressões e adjetivos com que me desqualificava como pessoa, mulher, escritora, professora e intelectual engajada.

Não respondi. Apenas escrevi o segundo artigo, sobre a reforma política, e dei por encerrada minha intervenção pública por meio da imprensa. A partir de então, além de não publicar artigos em jornais, decidi não dar entrevistas a jornais, rádios e televisões (dei entrevistas quando tomei posse no Conselho Nacional de Educação porque julgo que, numa República, alguém indicado para um posto público precisa prestar contas do que faz, mesmo que os meios disponíveis para isso não sejam os que escolheríamos). A seguir, veio a doença de minha mãe e, depois, a crise política como espetáculo.

No entanto, paradoxalmente, não fiquei fora da mídia: houve, por parte de jornais, revistas, rádios e televisões, solicitações diárias de entrevistas e de artigos; a matéria jornalística "O silêncio dos Intelectuais", não tendo obtido entrevista minha, citava trechos de meus antigos artigos de jornal; matérias jornalísticas sobre o PT e sobre os intelectuais petistas traziam, via de regra, uma foto minha, mesmo que nada houvesse sobre mim na notícia.

Finalmente, quando se iniciou o ciclo sobre o silêncio dos intelectuais, um jornal estampou minha foto, colocou em maiúsculas NÃO FALO (resposta que dei a um jornalista que queria uma entrevista quando da reunião dos intelectuais petistas com Tarso Genro, em São Paulo) e o colunista concluía a matéria dizendo que o silêncio dos intelectuais petistas era, na verdade, o silêncio de Marilena Chaui, o qual seria rompido com a conferência ["Ciclo expõe mal-estar e silêncio da academia", reportagem da Folha em 21/08/2005].

Resultado: jornais e revistas, com fotos minhas, não deram uma linha sequer sobre a conferência, mas pinçaram trechos dos debates, sem mencionar as perguntas nem dar por inteiro as respostas e seu contexto, transformando em discurso meu um discurso que não proferi tal como apresentado.

E entrevistaram tucanos (até as vestais da República, Álvaro Dias e Artur Virgílio!!!), pedindo opinião sobre o que decidiram dizer que eu disse! E os entrevistados opinaram!!! Num jornal do Rio de Janeiro e num de São Paulo, FHC disse uma pérola, declarando que por não entender de Espinosa, não fala nem escreve sobre ele e que eu, como não entendo de política, não deveria falar sobre o assunto. Como vocês podem notar, o princípio democrático, segundo o qual todos os cidadãos são politicamente competentes, foi jogado no lixo.

Qual é o sentido disso? Deixo de lado o fato de ser mulher, intelectual e petista (embora isso conte muitíssimo), para considerar apenas o núcleo da relação estabelecida comigo. A mídia está enviando a seguinte mensagem: "Somos onipotentes e fazemos seu silêncio falar. Portanto, fale de uma vez!" É uma ordem, uma imposição do mais forte ao mais fraco. Não é uma relação de poder e sim de força.

Vocês sabem que a diferença entre a ordem humana, a ordem física e a ordem biológica (para usar expressões de Merleau-Ponty [filósofo francês, 1908-1961]) decorre do fato de que as duas últimas são ordens de presença enquanto a primeira opera com a ausência. As leis físicas se referem às relações atuais entre coisas; as normas biológicas se referem ao comportamento adaptativo com que o organismo se relaciona com o que lhe é presente; mas a ordem humana é a do simbólico, ou seja, da capacidade para relacionar-se com o ausente.

É o mundo do trabalho, da história e da linguagem. Somos humanos porque o trabalho nega a imediateza da coisa natural, porque a consciência da temporalidade nos abre para o que não é mais (o passado) e para o que ainda não é (o futuro), e porque a linguagem, potência para presentificar o ausente, ergue-se contra nossa violência animal e o uso da força, inaugurando a relação com o outro como intersubjetividade.

Num belíssimo ensaio sobre "A Experiência Limite", Blanchot [Maurice Blanchot, escritor e crítico francês, 1907-2003] marca o lugar preciso em que emerge a violência na tortura de um ser humano. A violência não está apenas nos suplícios físicos e psíquicos a que é submetido o torturado; muito mais profundamente ela se encontra no fato horrendo de que o torturador quer forçar o torturado a lhe dar o dom mais precioso de sua condição humana: uma palavra verdadeira. NÃO FALO.

Vocês já leram La Boétie [Étienne de la Boétie, filósofo francês, 1530-1563, amigo do filósofo Michel de Montaigne]. Sabem que a servidão voluntária é o desejo de servir os superiores para ser servido pelos inferiores. É uma teia de relações de força, que percorrem verticalmente a sociedade sob a forma do mando e da obediência. Mas vocês se lembram também do que diz La Boétie da luta contra a servidão voluntária: não é preciso tirar coisa alguma do dominador; basta não lhe dar o que ele pede. NÃO FALO.

A liberdade não é uma escolha entre vários possíveis, mas a fortaleza do ânimo para não ser determinado por forças externas e a potência interior para determinar-se a si mesmo. A liberdade, recusa da heteronomia, é autonomia. Falarei quando minha liberdade determinar que é chegada a hora e a vez de falar."

 

Marilena Chaui

 

Para relaxar...

Bem, já se passaram algumas horas desde que cheguei do Concurso Público... Fome, cansaço e dor no corpo são as únicas sensações que tenho agora... Cara, tô arriada!!! Agora só me resta esperar, mas no geral, o saldo foi positivo...

Hoje, só para desopilar, estou escrevendo para recomendar a vocês dois filmes que assisti essa semana:

1.      Butch Cassidy and the Sundance Kid: Um faroeste memorável. O filme relata as aventuras de uma dupla de assaltantes de trens e bancos que lideram o Bando do Buraco na Parede... Paul Newman e Robert Redford estão "m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o-s tia"... Misturam drama, comédia e faroeste de uma maneira esplendorosa... É um dos filmes mais bonitos e nostálgicos que já assisti... De fato essa dupla de bandidos existiu e se tornou lendária... Num tempo em que a bicicleta era a grande invenção, até os bandidos e ladrões eram mais charmosos... Aliás, a cena de Paul Newman passeando de bicicleta com Katherine Ross ao som de “Raindrops Keep Fallin' on My Way” é linda!!! Caso assistam, prestem atenção na vaca... Hilário...

 

2.      Psicose: Um clássico do cinema Hitchcockiniano... É assustador... Aquela musiquinha dá calafrios... Filmado em branco e preto para evitar que o filme ficasse ensangüentado demais, Psicose marca pelo realismo... Assisti ao filme em uma noite solitária, fria e chuvosa... Resultado? Tive pesadelos a noite toda... Mas vale a pena...

Enfim, dois filmes impagáveis...

Bem, por hoje é só pessoal... Vou recolher-me aos meus aposentos e descansar depois de mais um dia tétrico de minha doce, inestimável e terna existência ...

Até mais...

A volta dos blogs vivos...

Meu bloguinho andou meio paradinho...Assim como o país, tema de minhas últimas postagens, minha vida também tá um pandemônio só.... O motivo? Um tido concurso público...

Pois é... Após longos 17 anos, o Estado de São Paulo, finalmente, decidiu abrir um concurso para professores do Ensino Fundamental, no caso, para mim... Caso alguém não saiba, sou a mais recém-formada-pedagoga-desempregada de nosso país, então, "concurso prá que te quero..."

De fato, ingressar no mundo adulto é um tanto quanto complicado... Não vou negar que a minha vida "paitrocinada" era bem mais confortável. Essa história de que devemos lutar por aquilo que queremos dá muito trabalho!!! Tô cansada dessa minha vida bandida!!! Se eu acreditasse em reencarnação ia pedir para que, na próxima vida, eu fosse uma dasluzete... mas,já que não acredito, "vou-me embora prá Pasárgada"...

... Lá sou amigo do rei/ Lá tenho a mulher que eu quero/ Na cama que escolherei/ Vou-me embora pra Pasárgada// Vou-me embora pra Pasárgada/ Aqui eu não sou feliz/ Lá a existência é uma aventura/ De tal modo inconseqüente/ Que Joana a Louca de Espanha/ Rainha e falsa demente/ Vem a ser contraparente/ Da nora que nunca tive// E como farei ginástica/ Andarei de bicicleta/ Montarei em burro brabo/ Subirei no pau-de-sebo/ Tomarei banhos de mar!/ E quando estiver cansado/ Deito na beira do rio/ Mando chamar a mãe-d'água/ Pra me contar as histórias/ Que no tempo de eu menino/ Rosa vinha me contar/ Vou-me embora pra Pasárgada// Em Pasárgada tem tudo/ É outra civilização/ Tem um processo seguro/ De impedir a concepção/ Tem telefone automático/ Tem alcalóide à vontade/ tem prostitutas bonitas/ Para a gente namorar// E quando eu estiver mais triste/ Mas triste de não ter jeito/ Quando de noite me der/ Vontade de me matar/ — Lá sou amigo do rei —/ Terei a mulher que eu quero/ Na cama que escolherei// Vou-me embora pra Pasárgada.

É tudo tão mais fácil lá, não?

Em menos de um mês (período de saída do editorial do concurso, saída da bilbiografia básica e da data da prova) minha vida virou um caos... Este será um concurso record em todos os sentidoi: primeiro concurso após quase duas deácadas; 1/4 da população do Estado todinho irá prestar; Um mês para estudar; 10.000 vagas; Tô em pânico... Espero ter boas notícias para publicar aqui amanhã...

Toc, Toc, Toc...

- Quem é?

- É a responsabilidade batendo em sua porta!

- Ah! Não dá prá deixar prá depois?

Ah... Meus oito anos... Oh ! Que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais!

Casimiro de Abreu - Meus Oito Anos

Só para não perder o hábito:

Severino Cavalcanti não me decepcionou... Foi mais um a jogar @#$%¨&* no ventilador...

Eita ferro...

Um país de alma ferida...

Essa é a declaração de Chico Buarque - o eterno tudo de bom - sobre a situação atual do país.

Chico tornou-se famoso, durante os anos de chumbo pelo qual passamos onde, através de suas letras, chacotear, provocar e expôr os débeis aos quais o país estava entregue. Lutou tão bravamente por aquilo que achava correto que foi exilado.

Bem, você pode dizer ser fácil criticar, atacar ou condenar um sistema visivelmente corrompido. Quem não faria isso? Mas ontem, Chico abriu sua boca para denunciar uma causa com a qual sempre simpatizou. Muito mais do que criticar um partido, Chico criticou um partido cujo seu pai - Sérgio Buarque de Holanda - ajudou a fundar. Como sempre Chico não se calou e, por tudo o que fez, por tudo o que passou, Chico merece meu respeito. Merece meu respeito por ser um intelectual que não se cala em face dos acontecimentos.

A minha listinha de "Quando crescer quero ser igual a/ao..." sempre foi extensa e andou sofrendo algumas mudanças ao longo dos tempos...Contudo, nela Chico sempre esteve e sempre estará presente, porém, essa semana ela teve uma baixa considerável: Marilena Chauí.

A ilustríssima Livre Docente em Filosofia, especialista em Spinozza, uma das princiapis intelectuais do PT e membro integrante de uma das pastas mais importantes de qualquer governo - a dita é membro do Conselho Nacional de Educação do governo federal- se mantêm muda feito um salmão quando o assunto é a atual crise política do Brasil.

De fato, é decepcionante o papel assumido por ela e por seus demais colegas intelectuais-mudos-vou-bem-obrigado (a)... Nesta semana,parecia enfim que eles iriam piar... Ilusão, pura ilusão. O ciclo de conferências chamado "Cultura e Pensamento em Tempos de Incerteza: o Silêncio dos Intelectuais" é fiel ao seu nome de batismo visto que ninguém se pronunciou sobre o fato. Para eles, há questões mais importantes para serem discutidas hoje.... A crise? Ah! Fica prá depois....

A revista Época publicou esta semana uma reportagem esculhambando os intelectuais petistas e eu, na condição de garota-patriota-amo-e-defendo-meu país endosso o coro: Pronuciem-se!

E quando lhe é dada a oportunidade de se pronunciar, Chauí me solta a seguinte pérola:"Desisti por completo dos meios de comunicação, e isso já faz quase oito meses. Não leio nenhum jornal, nenhuma revista, não escuto rádio e não vejo nenhum noticiário de televisão. (…) Se você me pedir uma análise política do Brasil, eu não posso fazer, porque não sei, efetivamente, o que está se passando".

Meu Deus! Alguém me diz que ela não disse isso! Em que governo ela trabalha? Como alguém do escalão dela pode declarar algo tão torpe assim? Tô começando a achar que houve um pequeno do escrivão no momento de registrar o nome de nossa ilusrte intelectual. Acho que o nome era para ter sido "MARCIANA Chauí", pois ela só pode estar vivendo em outro mundo para dar uma declaração dessas... Como a declaração foi dada em 2004, pode ser que Chauí tenha mudado de posição... Vai, vamos dar um desconto... Ledo engano...

Numa notinha que saiu hoje no Estado de São Paulo, Chauí continua a defender o governo e a dizer que a culpa é da imprensa e dos tucanos, por estarem pautando as discussões em um "bombardeio ideológico" e justifica o seu silêncio: sua mãe esteve muito doente nos últimos meses...

O problema de Chauí e de seus companheiros é a falta de autocrítica... O fato é que Chauí perdeu o bonde da história por continuar em seu sonho letárgico... É impressionante como pessoas extremamente inteligentes,às vezes, cometem os erros mais idiotas... Bem, mais uma coisa me conforta... Isso é uma prova de que os intelectuais - venerados por muitos, invejados por todos - no fundo, no fundo, são iguais a nós, pobres mortais: quando o cerco aperta, sempre matam um da família...

Até tu, Brutos?

Acho que o caminho segue mesmo para um impeachment ou, quiçá, para um plebiscito reivindicando as antecipações das eleições - sugestão apresentada à nação na passeata de quarta passada citada aqui, neste singelo blog ... Por quê? Elementar meu caro Watson... Se o que segurava o governo "cefalópode" era a economia estável, agora a vaca foi pro brejo de vez... Parece que o vendaval andou atingido o castelinho do companheiro Palocci... É... o Buratti colocou o Palocci no buraco (perceberam o trocadilho buratti-buraco...). Bom, agora não se trata de nenhuma previsão de mago, não... É questão de lógica... Tão lógica e óbvia que nosso presidente conseguiu chegar, ao que tudo indica, sozinho a uma brilhante conclusão: "Sem Palocci o governo acaba"...

Por um lado, Lula cumpriu uma de suas plataformas eleitorais: seu governo é um governo de transformações... O único problema é que essas transformações não foram lá muito boas para os petistas... Como disse Luciana Genro  (filha de ex-ministro-atual presidente do PT, deputada federal, ex-PT, atual Psol) a estrela de apagou...

Kennedy Alencar, colunista da Folha Online publicou hoje uma nota muito legal onde Lula declara a sua omissão diante da crise atual, sem negar veementemente, é claro, qualquer ato sabido ou ação executada de sua parte... Vale a pena dar uma olhadinha... Quem não leu e ficou curioso em ler, clique aqui. Para meu espanto, Lula demonstra-se raivoso quando o assunto é Zé Dirceu: "deveria ter cortado as asas de Dirceu, que quis ser o articulador político, o gerente administrativo do governo e ainda mandar na política econômica." Como diria minha mais nova melhor-amiga-de-infância-do-peito Denise Mari Martins: "fiquei bege" ao ler isso...

É, a cada dia que passa a coisa fede mais; cada dia é mais um companheiro a ser engolido por essa draga que tô ficando com medo de acordar e me ver estampada em uma manchete de jornal... Mas aí, abro meu extrato bancário e me deparo com meu saldo... Enfim relaxo... Nenhuma quantia exorbitante registrada... Afinal, sou "apenas mais uma professorinha" em um país de analfabetos e corruptos...

Beijos e até a próxima avalanche...

E agora, José?

Na mensagem anterior, citei o poema de Carlos Drummond de Andrade intitulado José... Disse que ele não se referia aos "Josés" da CPI... Mas, relendo o poema, é impressionante às similaridades dos fatos narrados... Não resisti e agora dedico esse singelo poema aos nossos "companheiros"... Principalmente, ao guerrilheiro Dirceu... Grifo ainda, as parte mais marcantes... E... VIVA DRUMMOND!!!

          José

          E agora, José?
          A festa acabou,

          a luz apagou,
          o povo sumiu,
          a noite esfriou,
          e agora, José?
          e agora, você?
         
você que é sem nome,
          que zomba dos outros,

          você que faz versos,
         
que ama, protesta?
          e agora, José?

          Está sem mulher,
         
está sem discurso,
          está sem carinho,

          já não pode beber,
          já não pode fumar,
        
  cuspir já não pode,
          a noite esfriou,
          o dia não veio,
          o bonde não veio,
        
  o riso não veio
          não veio a utopia
          e tudo acabou
          e tudo fugiu
          e tudo mofou,
          e agora, José?

          E agora, José?
          Sua doce palavra,
          seu instante de febre,
          sua gula e jejum,
         
sua biblioteca,
          sua lavra de ouro,
          seu terno de vidro,
          sua incoerência,
          seu ódio - e agora?

          Com a chave na mão
          quer abrir a porta,
          não existe porta;
          quer morrer no mar,
          mas o mar secou;
          quer ir para Minas,
          Minas não há mais.
          José, e agora?

          Se você gritasse,
          se você gemesse,
          se você tocasse
          a valsa vienense,
          se você dormisse,
          se você cansasse,
         
se você morresse...
          Mas você não morre,
          você é duro, José!

             Sozinho no escuro
          qual bicho-do-mato,
          sem teogonia,
          sem parede nua
          para se encostar,
          sem cavalo preto
          que fuja a galope,
         
você marcha, José!
          José, para onde?
 
 

 Irresistível, não?!

Presidente de Papel

E agora José? - embora a interrogação caiba a todos os "Josés" da CPI, refiro-me aqui ao José de Drummond - O presidente sabia ou não sabiado que se passava? De acordo com seu último - literalmente, último - discurso, o presidente disse que se sentiu traído. Como todos já sabem não disse por que, quando, como e, principalmente, por quem... Não esclareceu grandes coisas e se desculpou em nome do partido... Nada de novo, nada que o valha... E agora José?

Como sempre, estarei compartilhando a minha manceba opinião sobre o assunto, o que quer dizer que tudo o que es estarei escrevendo não passe de um monte de asneiras... Isto é apenas um colóquio político-pós-juvenil-esperançoso... Então, partamos aos fatos...

O PT, pela sua própria história, por causa de seus "companheiros" e "compaheiras" sempre tomou suas decisões a partir de assembléias - reunião de pessoas que têm algum interesse em comum, geralmente, em grande número, com a finalidade de discutir e deliberar conjuntamente sobre temas determinados - bem, se lá se delibera, ou seja, se decide algo após reflexão e consultas grupais, quer dizer que todos sabem tudo. Diante deste quadro, nosso presidente deveria saber o que se passava, até porque - não percamos de vista - ele foi durante anos, o presidente do partido; figura principal do babado, que mesmo deixando a presidência do partido para assumir a presidência da naçã, mesmo se tornando, enfim, a figura representativa do Estado; por ter que responder ao povo, mais do que nunca, deveria continuar a saber de tudo o que acontecia, se não fosse pela fidelidade partidária, seria pelo menos, por consideração ao seu histórico político... Então, ele se torna indisculpável diante do povo...

Mas, supondo que por alguma razão obscura; ou pelo simples fato de Zé Dirceu se achar "dono" do governo, Lula não ficou sabendo de nada; pura e simplesmente, foi ignorado diante das decisões que eram tomadas em seu governo... Então Lula se apresentou como um presidente de papel, que está "just blowin' in the win", como cantou Bob... Será que uma pessoa "alheia" como essa é capaz de governar um país?... Como assim, o dono dos porcos não sabe o que acontece no seu chiqueiro??!!

Bem, mas como ninguém escapa ao maquiavelismo alheio, talvez Lula não tenha culpa MESMO e tenha sido jogado em um mar de lamas que alguns já sentem - trocadilho infame, batido, porém irresistível com o nome do ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas - sendo, de fato e de verdade, apunhalado pelas costas por seus "companheiros e companheiras".... Opa, pera lá... Se alguém é traído por seus homens de confiança; seus braços direitos, esquerdos, pernas e tronco, por aqueles a quem confiou sua história da forma mais sórdia possível, ficaria tão passível assim? Eu acho que não... Deixaria o circo pegar fogo e o máximo que declara é que se dependesse dele tudo já estaria esclarecido? Eu acho que não... Se alguém age assim, numa situação dessa, não é mais apenas um presidente de papel... É um frouxo mais frouxo que o elástico esgarçado do que a calça do pijama rosa de bolinhas verdes... Ou, então é um rato, que diferentemente do burro, pula fora do navio antes que ele afunde... Então, se ele se porta dessa maneira, é de novo indisculpável dinte do povo: o retorno da múmia: parte II...

Creio não haver desculpas para o nosso presidente... Como um rato, ele está acoado por todas as beiradas e a hora em que a ratoeira disparar vai ser trash... Aliás, há suspeitas que um rato anda visitando a minha casa... Digo suspeitas porque ninguém nunca viu o fulaninho... Bem, de toda forma, espero que ele não seja vermelhinho; que não tenha uma estrelinha pendurada no pescoço; que tenha todos os seus dedinhos em suas patinhas; que não me fale acaipirado; que não seja careca, nem barbudo; que não me venha propôr uma rinha com minha rotweiller; que não tenha propensão alguma a ser do lar, visto que isso que causaria um custo terrível e que, muito menos, venha me visitar de mala e cueca...

Inté mais...

NOTÍCIAS DO PODER...

Pois é, a vida política de nossa pátria amada, idolatrada, salve, salve promete essa semana...

Hoje, terça-feira, 16 de agosto, haverá em Brasília uma passeata dos movimentos sociais que apoiaram o Lula e que, como o restante da nação, hoje estão dèsole (alguém pode me confirmar se é assim que se escreve?)... Mas não será uma passeata muito das fervorosas não... Eles irão marchar, pelo que tudo indica, pelo fim da corrupção... Nada de novo... A boa mesmo será amanhã...

O PSOL (partido criado após a expulsão de alguns membros do PT, entre eles, Eloísa Helena, minha mais nova ídola) e o PSTU (contra burguês vote 16) se coligaram para marchar a favor do impeachment de Lula... Essa sim vai ser supimpa e vai botar fogo em Brasília...

E por falar em impeachment, alguém pode me explicar o que são estas vinhetinhas que estão passando na TV de nossos políticos dizendo que o processo de impeachment é "traumatizante"? Pelo que me lembro, pois sou uma jovem manceba, o impeachment de Collor não foi nada traumatizante... Foi votado e depois... tchau! Isso tá é me parecendo uma manobra para tentar "proteger" as campanhas eleitorais do ano que vem, se bem que não seria nada engraçado ter um "Sévérino" como presidente... seria sinistro.... trash!

Bem, por hoje é só pessoal...

Beijos e força na peruca!

EU VOU, POR QUE NÃO???

Bem, parece que a última mensagem deste bolg - pré-férias escolares - foi um tanto quanto profética... Isto porque a letra comentada representa um momento histórico e político até, então, único no Brasil... Digo até então, porque acho que estamos prestes a começar tuuuudo de novo...

A crise política está posta e para ser sincera, estou morrendo de medo do que pode acontecer... Sei lá, um ex-guerrilheiro que declara continuar na vida pública mesmo se for cassado e um presidente que, enquanto o país pega fogo marca jantares com Hugo Chavez e que é fã declarado de Fidel se mantém na surdina, nãopode estar planejando boa coisa...

Ao estudar História sempre admirei os bravos combatentes dos anos de chumbo... é, sem dúvida admirável a coragem que eles tinham e um patriotismo exemplar... E por essas e outras, sempre quis ter vivido naquela época, sempre quis ter feito parte do bloco... Hoje, vejo essa oportunidade... Confesso que, "querer" é muito mais cômodo do que "poder" participar... É latente o medo de me tornar uma desaparecida... (Não se preocupem, sou uma pessoa hiperbólica...) Mas, como diz a canção: Aqui é o meu país / Nos seios da minha amada / Nos olhos da perdiz / Na lua, na invernada / Nas trilhas, estradas e veias / Que vão do céu ao coração...

Bem, é com muito orgulho que publico o meu primeiro documento subversivo, que algum dia quiçá, poderá ser útil a algum professor de História ou a algum sociólogo que estudará o nosso presente momento histórico... Passeatas, aí vou eu!!!

Se Caetano pôde, por que eu não?

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