SOCIALIZAÇÃO: PARTE II
Essas tecnologias às vezes me deixam irritada.... Semana passada escrevi a primeira parte da entrevista com Pierre Levy, mas não sei por quais cargas d'água ela não foi publicada... E o pior é que só reparei quando fui abrir meu blog hoje... Sinistro... Então, reescrevi a mensagem perdida e sigo para a próxima....
Bem, como prometido, um pouco mais sobre socialização... E sobre Pierre Levy.
Os Agente Socializadores
Os agentes socializadores constituem espaços privilegiadosde socialização e referem-se aos grupos e contextos sociais em que têm lugar processos de socialização significativo. Cada cultura, desde os tempos mais remotos, possue seus "agentes". A família surge como o principal agente socializador da criança durante a infância. É na família que a criança aprende e apreende o comportamento humano essencial. Posteriormente, entram em ação, outros agentes também muito importantes: a relação entre pares, a escola e " tchan, tchan, tchan, tchan: os meios de comunicação!!!!".
Bem, veremos cada um deles com calma e, começaremos com a família:
- A Família:
A família, mesmo com toda a diversidade que temos hoje e com funções atribuídas extremamente variáveis com o tempo, é uma instituição presente em todas as sociedades. Todavia, a família continua a proporcionar o primeiro ambiente de aprendizagens sociais, o que será importantíssimo para a estruturação da personalidade. Freixo, em sua obra "A Televisão e a Instituição Escolar" nos diz algo que define bem o papel da família com agente socializador:
Em conseqüência das experiências adquiridas em grande parte no seio da família, a criança torna-se membro ativo da tribo que era, em si memso, um sistema político (p.69).
Freixo ainda nos propõe três momentos fundamentais. Vamos a eles:
A primeira ação socializadora na família ocorre desde a primeira idade da vida; desde que a personalidade da criança é mais maleável...
Num segundo momento, a ação socializadora é particularmente intensa, devido aos contados cotidianos entre pais e filhos...
Por fim, essa ação desenvolve-se num clima afetivo que fomenta na criança uma atitude particularmente receptiva a novas aprendizagens...
Para finalizarmos a questão socialização-família, deixo um trecho de Bourdieu extraído de sua obra Razões Práticas, sobre a Teoria da Ação...
A família desempenha (...) um papel determinante na manutenção da ordem social, na reprodução, não aprenas biológica, mas social, quer dizer, na reprodução da estrutura do espaço social e das relações sociais(p.98)
Bem, voltemos agora a Pierre Levy...
ENTREVISTA COM PIERRE LEVY: PARTE SEGUNDA
Talvez o que mais me incomode no texto de Levy é o fato dele ser tecnófilo demais... Em seu texto não consegui destacar nada negativo com relação às tecnologias e creio que as coisas não sejam assim... Talvez, e isso é possível, seja ignorância de minha parte; talvez não conheça o autor o suficiente para fazer uma colocação dessas...Tenho um livro dele na minha estante (Ciber Cultura) Vou ler com amais afinco... Todavia, essa é uma primeira impressão. Concordo que a escola ha muito já perdeu o monopólio do saber; que aprendemos em todos e quaisquer lugares, mas também não acho qua a Internet (www = world wide wibe) seja o canal mais seguro e mais enriquecedor de todos... A escola ainda ssume papéis importantes na educação, incluindo o de orientar seus pupilos quanto ao uso dessas tecnologias. Concordo que a escola, no caso a Universidade, não é a dona do saber. Lembro-me de uma das aulas com o Prof. Penteado. Nessa aula, discutíamos Max Webber. Dentro da sua humildade ele disse ser amigo de um professor que entendia muito mais de Webber do que ele. Que este homem, apesar de nunca ter frequentado a escola, tinha se tornado professor por meio da constatação de seus "Conhecimentos Notórios". Ou seja, ela não freqüentou a universidade,mas acredito eu, até mesmo pela sua idade, não aprendeu tudo isso através da WWW. Creio que os bons e velhos livros foram muito mais responsáveis por esses conhecimentos. Concordo na reatualização das convenções, mas temo que caiamos numa nova convenção: a das tecnologias.
Uma outra questão que Levy aborda e que, particularmente que interessou muito, é a questão das hierarquias do saber, ou seja, eu estou no topo da pirâmide pois sei mais do que você. Achei fantástica a colocação de que tudo depende do contexto em que o saber está inserido... "Cada ser humano está no topo da pirâmide. Pois todos os conhecimentos que ele tem ele os desenvolveu ao longo da vida (...) Seremos uma sociedade de aprendizagem mútua ou uma sociedade de aprendizagem cooperativa". P-A-R-F-A-I-T!!!
Já a Internet como um banco de dados do qual extraímos conhecimentos, ainda é algo nebuloso para mim... Tenho as minhas ressalvas. Não acho que a biblioteca seja um estoque de textos... Adoro uma biblioteca... Ver os velhos escritos...Volto outra vez à minha possível ignorância. Então assumo a postura de Wittigenstein: "Sobre aquilo que não se pode falar deve-se calar." Talvez a minha relação com a Internet seja superficial...
Uma última questão que irei abordar é sobre a educação à distância. Levy afirmar que pe um meio de experimentação constante, que infelizmente, não ocorres em todos os ramos da educação. Concordo e discordo. Concordo que a educação à distância é um desafio, mas não concordo que a educação tradicional (sala de aula - professor x aluno) também não o seja. Isso, a menos que você pressuponha que todos os alunos são iguais e que todos aprendem igualmente. Aí sim, cria-se uma fórmula que aplicada sem erros, nos livra de qualquer experimentação. Dar aula, pelo menos para mim, jovem educadora, é uma experimentação constante... Um jogo de tentativas... De erros e acertos... A mixagem das tecnologias em sala de aula contribui, sim, para um melhor nível de educação, Nisso concordo plenamente com Levy, mas me incomoda um pouco a colocação da relação professor x aluno cara-a-cara como um jargão da educação... As tecnologias podem adicionar novas formas de saberes e, espero sinceramente que isso ocorra, mas assusta-me muito a possibilidade de que isso se torna uma regra tão absoluta que acabe-se perdendo, totalmente, o maravilhoso mundo da interação entre os homens em busca do saber dentro de uma sala de aula...
É por isso que questiono as tecnologias e estudo sobre elas... Elas estabelecem uma relação extrema onde temo, nunca encontrarmo um meio termo sensato e proveitoso...
Vocês podem estar se perguntando o que a Mídia tem a ver com a socialização. Bem, na verdade, ela tem muita coisa a ver. A partir de hoje, iniciarei uma seqüência de mensagens que tratem sobre isso. Hoje, como há uma tarefa adicioanl do professor Jarbas - comentar uma entrevista de Pierre Levy -, ficaremos apenas com o conceito de socialização.
Socialização significa desenvolver relações sociais entre os homens, e nelas formar um grupo, uma sociedade; partilhar com outros uma cultura comum; a cultura de seus ancestrais e de seus descendentes.
Nossa herança genética dá a capacidade de aprender os comportamentos ditos humanos, e pode até mesmo direcionar esse aprendizado, mas não garante seu surgimento e desenvolvimento. Tornamo-nos humanos através da interação com outros em uma variedade de contextos culturais e socioestruturais. É através dessa interação que nos tornamos humanos; é através dela que adquirimos nossa personalidade, aprendermos como nos adaptar em sociedade e organizar nossas vidas.
A socialização, por este prisma é algo que se prolonga ao longo da vida e resulta das interações proporcionadas por diversos agentes sociais, constituindo, dessa maneira, o fator decisivo dessa aprendizagem. É a socialização que nos garante a qualidade de “homens”.
ENTREVISTA COM PIERRE LEVY: PARTE PRIMEIRA
A entrevista que será comentada a seguir, diz respeito a um documentário feito pela TV SENAC - Pierre Levy: as formas do saber - com o filósofo Pierre Levy. Está entrevista, originalmente em vídeo, foi transcrita e ofertada a nós, alunas de Pedagogia, no primeiro ano do Curso, pelo Prof. Jarbas na disciplina Tecnologia Educacional. Hoje, ela retorna a nós como uma tentativa do professor Jarbas em nos fazer escrever mais em nossos blogs... Bobagem... Não acredito nisso. Para mim, isso sim,é banalização da leitura e da escrita... Talvez, o que falte em nós seja discernir a real importância de ler e escrever... Saber o que deixamos de ganhar e o quanto ganhamos ao realizar tal exercicio... A leitura e a escrita só terão significado quando percebermos que lemos e escrevemos para aprendermos e não para ganhar uma nota no fim do semestre... A partir daí, então, acho que podemos sonhar com novos campos floridos...
Bem, digreções à parte, voltemos ao texto, que aliás, é muitíssimo interessante...
Nesta entrevista Levy faz algumas colocações sobre a forma como a transmissão dos saberes ocorre hoje devido a grande revolução das tecnologias. Diante disso, ele aponta três grandes mudanças que ocorreram nessa relação homem x saber.
A primeira delas diz respeito à Velocidade. Ao discutir isso, Levy aponta para o fato dos conhecimentos hoje, diferentemente de alguns anos atrás, não serem mais passíveis de transmissão. O que presenciamos, hoje, é um ciclo de renovação dos conhecimentos, visto que vivemos em uma época em que as verdades não sã imutáveis; estão em constante mutação. Cito Levy para esclarecer o fato "pertencemos a um ciclo que está em perpétua transformação". Essa posição, considerada por Levy como sendo a mais importante, faz cair por terra algumas das maiores máximas da humanidade, a de que "os mais velhos sabem mais do que os mais novos" e a de que "o conhecimento é uma estoque"... Hoje sabe-se que o conhecimento é um fluxo e, dismistificadas essas máximas, que fica em xeque é a escola. Se ela não transmite o saber, o que ela faz então? Bem, para responder essa questão, retorno às minhas aulas de Filosofia da Educação e cito Jacques D’Elors em sua seu Relatório para a Unesco onde ele trata "Os Quatro Pilares da Educação". Ora, segundo D'Elors, é papel da escola fazer com que o aluno "aprenda a conhecer". Sendo assim, a meta da escola passa de ensinar a fazr com que as pessoas aprendam, fator essencial para que as pessoas parendam a sobreviver num mundo de conhecimentos em fluxo permanentemente.
A segunda mudança diz respeito ao Trabalho. Essa segunda mudança também me remete a D'Elors e seu terceiro pilar: aprender a fazer. Da mesma maneira que para Levy essa mudança está relaciona ao trabalho, enquanto profissão, D'Elors nos diz que este pilar refere-se à formação profissional. O indivíduo aprende e põe em prática os seus conhecimentos. Dentro disso, deve perceber que aprender a fazer não pode ser apenas ensinar um outro jovem para uma função onde fará uma tarefa material. Para isso deverá o jovem ser sempre atualizado, de acordo com o desenvolvimento industrial. Levy vai um pouco mais além ao dizer que a questão do trabalho também consiste em inventar novos conhecimentos. Dessa forma, o que vemos é uma transação de conhecimentos.
A terceira e última mudança refere-se, justamente, às Tecnologias. Levy diz saber que não é a tecnologia que determina tudo, mas nem por isso ela deixa de ser importante, principalmente, essa a relação com o saber e a informática. As tecnologias atuam para Levy como "suportes" para ampliação e prolongamento das faculdades mentais cognitivas humanas, como é o caso da memória. Diz., ainda que a escoal não é muito adequada para uma utilização dessas tecnologias e quanto a isso, sou completamente favorável, aliás, meu projeto de pesquisa iniciou-se sobre essa coloação. É necessário, sim, uma transformação e adaptação da escola diante das novas tecnolgias, já ques estas estão ocupando um papel cada vez maior e de maior importância em nossa sociedade. Porém, discordo um pouco sobre a colocação da "escrita e leitura estática". Talvez, por se tratar de uma entrevista, onde há um certo despojamento, o que vemo s é uma questão de retórica mal explicada, mas, particularmente, acredito que a dinâmica de uma sala de aula como a que é posta no texto ( os professores falam, os alunos anotam e às vezez utiliam textos impressos) seja estática, pois se fosse perderia-se de vista a resiginificação do professor em sala de aula, questão essa discutida pelas modernas vertentes educacionais. Mas como já disse, acho que foi apenas um lapso; algo mal colocado e por isso, sigamos em frente... Mas, só na semana que vem... Até mais...
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